Por uma vida menos ordinária

Por sugestão do Hernan Fernandes, lá vou eu falar da Parada da Diversidade, que aqui em Curitiba vai acontecer em 29 de agosto. As pessoas chamam de Parada do Orgulho Gay, não sei qual o nome certo, mas enfim, bora seguir a pauta.

A pergunta do Hernan foi será que temos motivos pra nos orgulhar? Eu não sei, temos? Se eu me enquadrasse na sigla LGBT, provavelmente não me sentiria representada pela Parada. Não que eu tenha alguma moral para falar dos outros, meu comportamento não é lá essas coisas e minha reputação não é muito melhor.

A questão é que não consigo considerar a Parada como algo além de um Carnaval, uma grande festa. Linda, ma-ra-vi-lho-sa, super divertida e nada mais. Se originalmente a Parada foi concebida como uma passeata em busca de respeito e exigência de todos os direitos dos cidadãos independente de sua orientação sexual, está hoje totalmente deturpada e qualquer exigência ou pedido será solenemente ignorado pelas autoridades. Da mesma forma que não vamos melhorar o Brasil com um belo discurso da Ivete Sangalo no circuito Barra-Ondina nem com samba-enredo.

Na verdade, vejo uma duplicidade nesse conceito de se orgulhar. Eu me orgulho de ser em eu sou, assim como considero que todo mundo deveria se orgulhar. Por outro lado, não concordo com o conceito de “classe” e suas representações. Sou mulher, mas não me orgulho de todas elas. Sou curitibana, mas chego a me envergonhar da falta de sociabilidade dos meus conterrâneos. Sou blogueira, mas acho um lixo 95% do que vejo na blogosfera. Sou publicitária, mas sinto uma profunda vergonha alheia pelo Roberto Justus e uns outros.

Depois dessas divagações, deixo vocês com a mesma pergunta: Parada do Orgulho Gay, será que temos motivos pra nos orgulhar? Não como indivíduos, mas como grupo. Temos?

2 comentários:

FOXX disse...

mas originalmente a parada não foi concebida em passeata de protesto, ela é e sempre foi uma festa, pq orgulho se comemora, não se reivindica, ou vc tem, ou não tem.

Lomyne disse...

Foxx, tomei por base as informações da Parada Gay de São Paulo, a maior do mundo, na Wikipédia.

Existem reivindicações, sim. A menos que a gente vá considerar que o artigo é fake. Será?