Gosto & Preconceito

Ok, senhores, vamos ao bendito post cuja ideia me ronda a cabeça o mês passado, mas acabo segurando a onda. O fato é que por respeitar demais e querer bem demais acabamos por medir palavras e isso não é bom. Então bora lá.

O que a maioria dos homens gays escuta e que tipo de lugar frequenta? Não vou me dar ao trabalho de fazer uma enquete, eu sei a resposta: música eletrônica e boate/rave. Então tá, por quê? Homens encatadores, inteligentes, lindos (ok, nem todos) com escolhas super limitadas de entretenimento.

Já perdi as contas de quantas vezes o papo é sobre boates, sobre a música da Lady Gaga, sobre se Britney merece mais ou menos respeito que Beyoncé e mimimi do gênero. Quantos papos sobre bons filmes, boa comida, teatro cheios de conhecimento; mas é só chegar no assunto música que acabou o vasto conhecimento, ficamos na mediocridade dos playboys que eu critico todos os dias antes de dormir.

Não vejo quase nunca ou muito raramente um gay comentar que estava ouvindo Cazuza ou Renato Russo, por exemplo. Pra citar apenas os gays que mais amo na face da Terra, mesmo que estejam pra lá de mortos e não, nada a ver com devoção àqueles que morreram de AIDS.

Nunca conheci um gay cuja música predileta fosse rock! Se conheci, me atrevo a dizer que não é a música que o cara mais escuta. E olha que sou roqueira por vocação desde criança e amiga de muitos gays há dez anos. Então, qual o problema?
Não dá para dançar? Mentira.

Não tem música boa? Mentira enorme.

Não respeitam os gays? Mentira grande pra caralho, pergunta pra qualquer lésbica pra você ver.
E quanto à segunda parte do problema, os lugares onde vão, porque diabos só às boates/raves? Não rola sair pra um barzinho numa boa, rir e conversar? Não podemos sair pra dançar nada além de eletrônico?

Quem me disser que "lá a gente pode ficar à vontade" pra mim é um belo mané conivente com o preconceito que a sociedade tem em relação à sua opção sexual e merece sim ser discriminado. Não por homossexualismo, mas por medriocriade. E pra encerrar eu pego emprestada a tag do twitter: #prontofalei.

O rock'n'roll é nosso apoio, a emoção a nossa busca, fugir da tristeza a nossa luta; pois somos filhos do sexo, amantes da lua e habitantes das ruas...
(alguém me escreveu isso em um caderno de confidências e eu nunca esqueci, se souber o autor, por favor avise)

Como saber que as coisas não vão bem

Lamento informar, as coisas não vão bem para os gays, lésbicas, bissexuais etc. Avanços existem, a sociedade admite que existe um leque de opções sexuais, mas é só. A sociedade não aceita, não entende, não trata bem, não quer que um filho seu seja qualquer coisa diferente de heterossexual. Minha teoria comprovada na prática:
1. Mauricio de Sousa colocou um personagem gay numa história da Tina. Todo mundo viu, eu não nem me dar ao trabalho de construir uma grande explicação sobre o assunto, se quiser, clique aqui.

2. O autor já saiu se defendendo, com argumentos assim: a) é uma revista "adulto-jovem"; b) considerar o personagem gay é "uma questão de interpretação"; c) mencionou que suas histórias têm "a elegância no trato de qualquer tema".

3. As mídias tradicionais e sociais, noticiaram e reagiram. Bem ou mal é uma questão de ponto de vista, mas mídia sempre é sinal de relevância.
Eu digo que as coisas não vão bem porque toda e qualquer mídia tradicional sobre o assunto é esquiva, quase como se desculpando por falar no assunto, para não ofender nem conservadores, nem gays. Essa coisa assim meio de ladinho sempre grita que determinado assunto é delicado.

Por sua vez, as mídias sociais declaram aos quatro ventos a maturidade de nossa sociedade com comentários gentis assim:
* O que tem haver ´a sociedade´ faz isso, aquilo...eu pergunto: E DAI? a ´sociedade´ e ´a midia´ nao sao exatamente referencias de boa educacao, valores, respeito. Pelo contrario, e fonte egoismo, sexo sem limites e confuso, mentiras, avareza, vaidade..e ainda querem forcar isso com nossas criancas?

* Acho um absurdo, ele diz que a revista é voltada para o publico adulto jovem, mas crianças de uma forma ou de outra, irão ler esse tipo de revista, o que aumenta a influencia do homossexualismo entre as crianças...

* Infelizmente, as revistinhas que eu sempre amei ler, meus filhos nao poderao apreciar. Que intolerancia ne? pq desrespeitar as familias assim? pq invadir e forcar uma doenca dentro de nossa familia? existem milhoes de outras maneiras de combater o preconceito. As criancas nao tem nada haver.

* Exibir personágem Gay é comum virou clichê na midia, Afinal cada vez mais esse estilo de vida é mostrado como normal... Mas na verdade não é! por mais forcem guela baixo nas novelas, filmes etc..Deus fez homem e mulher, Macho e Fêmea.isso é fato, independentemente do que fazem com seus corpos.
Não senhores, as coisas não vão bem, porque definitivamente a sociedade não está pronta. Boa sorte àqueles que vão mudar o mundo, porque eu vou ver televisão.

p.s.1: trechos de mídias sociais extraídos do blog Limão em Limonada, da Emanuelle Najjar.

p.s.2: porra, Lomyne, um mês pra atualizar? É, ué. Acontece, gente.